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Reinaldo Azevedo

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E por que não se fala em “Lulerra” ou “Serrula”?

Reinaldo Azevedo

2023-02-20T17:22:28

23/02/2017 22h28

Só um fato pode impedir que o governo federal e Lula revivam, de forma simbólica, na praça paulista, a luta de 1932: o eventual crescimento de Geraldo Alckmin nas pesquisas depois do início do horário eleitoral, de modo a ameaçar a candidatura de Lula, que, então, teria se preocupar um pouco consigo mesmo. Se a situação para o presidente-candidato continuar confortável, como é hoje, vai-se assistir à maior investida eleitoral de que se tem notícia no Estado. Porque, nesse caso, o inimigo nº 1 do petismo passa a ser José Serra. O PT sabe que as muralhas que guardam Aécio Neves, também tucano, em Minas, são inexpugnáveis. Ainda que houvesse algum interesse no confronto, ele não se daria. Ao contrário: partem justamente do PT as sugestões, não suficientemente contestadas pelo PSDB mineiro, de que o "Lulécio" é uma realidade eleitoral que beneficia todo mundo. Já o PSDB manter a hegemonia em São Paulo, ainda que Lula seja reeleito, tisna a vitória petista. Serra não escondeu, no discurso que lançou a sua candidatura, que, seja lá qual for a orientação da política econômica a partir de 2007, a sua militância, à frente do governo de São Paulo, se eleito, será em favor de uma nova política de desenvolvimento. A propaganda do governo federal já desembarcou maciçamente no Estado. É curioso (ou nem tanto?) que, embora alguns setores, especialmente do mercado, queiram buscar um viés esquerdizante em Serra, não se fale no Estado em "Lulerra" ou "Serrula". Ah, sim, sobre 1932: espero que, desta vez, São Paulo vença.

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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