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Reinaldo Azevedo

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Previdência 1 - Indefensável posição dos tucanos provoca turbulências nos mercados

Reinaldo Azevedo

2030-11-20T17:08:41

30/11/2017 08h41

Ricardo Trípoli, líder do PSDB na Câmara: ele até que tentou explicar a posição dos tucanos, mas nem ele mesmo conseguiu…

Alguns amigos tucanos, e eu os tenho, reclamaram da minha dureza com o PSDB (clique aqui) na questão da reforma da Previdência. Fui duro, sim! E justo! E ainda falta falar um pouco a respeito.

Nesta quarta, a Bolsa caiu, o dólar subiu. É o que chamo de "Efeito Bom de Bico". Ou, então, "Efeito Samba-do-Tucano-Doido". Algumas pessoas haviam caído na conversa, que há tempos já desmistifiquei aqui, de que a turma que queria romper com o governo Temer tinha restrições, vamos dizer, de ordem ética. "Não! É puro eleitoralismo. Essa gente não quer é se comprometer com a reforma da Previdência".

Muito bem! A turma que quer pular fora venceu. E, desde sempre, se disse: "Ah, não precisamos estar no governo para votar em favor do Brasil". Sempre tive de conter as lágrimas em momentos assim porque tenho coração mole… Tasso Jereissati e Marconi Perillo retiraram suas respectivas candidaturas à presidência do partido. Geraldo Alckmin vai assumir o comando. A bancada paulista do PSDB votou unida contra Temer. Mas os incautos estavam a imaginar que, bem…, em matéria de Previdência, tucano não nega fogo…

Na noite desta quarta, Eraldo Pereira entrevistou Ricardo Trípoli (SP), o buliçoso líder tucano na Câmara, no "Jornal da Globo". E aí? O partido vai fechar questão em favor da reforma? A voz do deputado já não é a de um barítono. Com as cordas vocais comprimidas pelo nervosismo e pela falta do que dizer, saiu ainda mais fina — sim, via-se ser ele um "cabeça preta", ainda que seja aquela cor de cabelo de homem conhecida por "Preto Brasília". Só perde para o "Acaju Brasília"…

E o doutor respondeu, quase tartamudeando: "Se os partidos da base fecharem questão, a gente fecha…" Mas, ora vejam!, o PSDB nem mais da base é, como sabe Trípoli. Ele foi um "rompicionistas" mais entusiasmados. Mas isso não conta tudo. O doutor se esqueceu de dizer que o partido fez três exigências para votar "a favor" da reforma. E, ainda assim, sem garantir a totalidade dos 46 votos:
a: integralidade no benefício por invalidez, não importa o local do acidente, se no trabalho ou não;

b: que a pessoa possa acumular benefícios, como aposentadoria e pensão, desde que não ultrapasse o teto de R$ 5.531;

c: que os servidores que ingressaram na carreira até 2003 tenham aposentadoria integral (igual ao último salário) e que não valha para eles a regra da idade mínima; para tanto, teriam de pagar um pedágio.

Em 10 anos, a "generosidade" tucana, especialmente com os servidores, custará R$ 109 bilhões aos cofres públicos. Vale dizer: sairá do bolso dos pobres para o dos ricos.

Ah, mas o demônio do PSDB, inclusive na imprensa, sabem como é, é o senador Aécio Neves, que era contrário ao rompimento com o governo e que defende que a bancada feche questão em favor do texto, sem as exigências absurdas.

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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