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Reinaldo Azevedo

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Sem Lula, brancos e nulos chegariam a 32%; 31% dos eleitores do petista não votariam em ninguém

Reinaldo Azevedo

2031-01-20T18:07:27

31/01/2018 07h27

Notem o estrago que a Lava Jato causou à política brasileira quando decretou, com o apoio dos cretinos e dos oportunistas de direita — alguns deles disputando eleições… — que todos os políticos eram iguais. Nos cenários em que Lula disputa a eleição, o percentual de brancos e nulos varia de 12% a 19%. Já é alto. Quando, no entanto, seu nome não aparece na lista de candidatos, segundo o Datafolha, esse número varia de 28% a 32%. Nada menos de 31% dos eleitores de Lula dizem que não votarão em ninguém se seu nome não estiver no cardápio da urna. Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) são os mais beneficiados pela eventual saída do petista do certame. Ela herdaria 15% dos seus votos, e ele, 14%. Luciano Huck ficaria com 8%, e Bolsonaro, com 7%.

Eleição ilegítima? Isso é tolice. Ainda voltarei muitas vezes ao assunto. Pra começo de conversa, em democracias em que o voto é facultativo — a esmagadora maioria —, a efetiva participação do eleitorado é ainda menor. Ocorre que o assunto, nesse caso, é outro. Ou os analistas decifram o enigma, ou este vai devorá-los. Onde está esse eleitorado de Lula, que se monstra, vamos dizer, imune à Lava Jato? Qual o perfil daqueles 50% que são infensos à operação, declarando que não votariam de jeito nenhum num candidato que tivesse o apoio de Sérgio Moro, o juiz sem máculas? Ora, depois de tudo, 53% afirmam o mesmo sobre um indicado pelo chefão petista. Ocorre que Moro não foi condenado com estardalhaço nem está sendo ameaçado de prisão. Na imprensa, é tratado como mestre dos mestres. Que eleitorado é tão refratário ao juiz?

 

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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