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Reinaldo Azevedo

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Parte da imprensa se deixa contaminar por MPF, PF e redes sociais e também vira palco para acusações insanas e sem provas

Reinaldo Azevedo

2028-02-20T18:07:39

28/02/2018 07h39

As teorias conspiratórias estão na praça, e as delinquências intelectuais de supostos jornalistas, que aceitam ser porta-vozes da banda ilegalista do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, também. Como sabem, Raul Jungmann, novo ministro da Segurança Pública, destituiu Fernando Segovia do posto de delegado-geral da Polícia Federal. Para o lugar, vai Rogério Augusto Viana Galloro, que era o segundo de Leandro Daiello, que comandou a PF entre 4 de janeiro de 2011 a 8 de novembro de 2017. Já escrevi um post criticando a decisão e a maneira como foi tomada, de supetão.  O objetivo foi pacificar a pressão de setores da própria PF, do MPF e até ministros do Supremo que pretendem fazer o governo federal refém de suas idiossincrasias e de suas afinidades eletivas e leviandades.

A substituição, por alguns dias, vocês verão, só servirá par alimentar a bobajada espalhada pelos porões da Lava Jato. Vamos a elas:

1: Abafar a Lava Jato — a primeira e mais influente dá conta de que Temer só nomeou Segovia para abafar a operação. Quando você ler ou ouvir uma mentira grotesca como essa, pode fazer uma de duas coisas: a) acreditar e se comportar como um trouxa; b) indagar ao jornalista que escreve ou afirma uma tolice dessa espécie como é que a coisa seria feita. Sim, não se constranja! Pergunte, segundo os meios hoje dados de interação, como é que um delegado-geral impediria um colega seu de fazer uma investigação. Mais ainda: como é que o chefe da PF poderia operar esse prodígio sem combinar com o Ministério Público Federal. Desde que a operação começou, essa é a mais constante ladainha espalhada pela banda fascistoide da Lava Jato e repetida, bovinamente, por fascistas de esquerda e… de direita também na grande imprensa.

2: O caso dos portos — vai aí outra aberração. Segovia teria sido escolhido para limpar a barra de Temer. É mesmo? Por quê? O inquérito, a pedido da própria PF, que apura se um decreto sobre portos assinado pelo presidente beneficiou ou não o grupo Rodrimar, chegará ao fim sem encontrar prova nenhuma. A menos que se fabrique uma ou que se invente uma acusação nova no meio do caminho. Aliás, foi o que fez Rodrigo Janot quando ofereceu a primeira denúncia contra Temer. Ela tinha 64 páginas. Nada menos de 34 nada tinham a ver com a acusação de corrupção passiva e se limitavam a fazer especulações sobre o tal decreto.

Então ficamos assim: Segovia teria sido nomeado para barrar a Lava Jato, mas a delinquência que se encarrega de fazer tal afirmação não aponta por qual caminho isso poderia ser feito nem como tal coisa poderia ser operada sem a conivência do Ministério Público. Aí surge a hipótese de que era para livrar a cara do presidente no caso dos portos, mas também não se evidencia como Segovia poderia interferir na investigação do delegado Cleyber Lopes, que tem no ex-diretor geral um desafeto. Para registro dos senhores leitores: um delegado-geral não tem poder para impedir os demais de dar sequência a uma investigação.

3: A contradição evidente — de resto, fosse como dizem, então por que Segovia teria sido demitido? Será que os delegados da Polícia Federal iriam promover uma rebelião? Restaria, então, a possibilidade de Temer ter decidido fazer a troca para não ser alvo de retaliação da própria PF, do MPF e até do relator do caso no Supremo, o ministro Roberto Barroso. Bem, nesse caso, então, não se teria nem PF nem MPF ou ministro do Supremo, mas uma máfia de chantagistas.

Sim, Segovia foi tirado do cargo como um gesto — que entendo errado — de "pacificação" da PF, já que o circo e o cerco estavam armados contra ele. Mas essa conversa de que foi nomeado para conter a Lava Jato ou interferir na investigação do caso dos portos chega a ser dolosa. E desafio quem faz tais afirmações a evidenciar os caminhos pelos quais tais coisas poderiam ser feitas.

Mas é claro que não haverá resposta. O MPF contaminou a imprensa. Que hoje também se entrega a acusações sem provas com enorme desassombro.

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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