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Reinaldo Azevedo

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Comissão para defender direitos sob governo Bolsonaro quer diálogo em vez de oposição, afirma seu presidente

Reinaldo Azevedo

2021-02-20T19:01:01

21/02/2019 01h01

Lançamento da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, na Faculdade de Direito da USP – Zanone Fraissat/Folhapress

Até poucas horas antes, os fundadores da Comissão Arns se perguntavam se o lançamento do grupo que quer defender os direitos humanos no Brasil sob o governo de Jair Bolsonaro (PSL) seria capaz de encher o auditório da Faculdade de Direito da USP reservado para o evento.

Não só o espaço ficou lotado nesta quarta-feira (20) como muita gente teve que se espremer na antessala para tentar ouvir os discursos. Pelo menos 600 pessoas participaram do ato, entre membros que estão na linha de frente da associação, líderes de organizações parceiras e cidadãos engajados na causa.

Batizada em homenagem a dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo morto em 2016, a comissão foi criada por um grupo de 20 intelectuais, advogados, acadêmicos e jornalistas. São personalidades e ativistas com longa história de militância na área, que dizem existir um sentimento crescente de ódio, intolerância e discriminação no país.

Medidas tomadas pelo novo governo, como a instituição do monitoramento de ONGs (que a Secretaria de Governo já avalia rever), o enfraquecimento da Lei de Acesso à Informação (que pode vir a ser derrubado no Congresso) e a transferência da demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura, foram citadas.

"Não é uma comissão de oposição ao governo", disse no encerramento da solenidade Paulo Sérgio Pinheiro, presidente do colegiado.

"É uma comissão de monitoramento de todas as medidas contra a política de Estado que prevaleceu nos últimos 30 anos. O nosso alvo é defender essa política dialogando com todas as autoridades", acrescentou ele, que foi secretário nacional de Direitos Humanos na gestão Fernando Henrique Cardoso.

Outros quatro ex-auxiliares do governo de FHC estão no grupo —José Carlos Dias, José Gregori, Luiz Carlos Bresser-Pereira e Claudia Costin. Paulo Vannuchi, ministro de Direitos Humanos no governo Lula, também é um dos idealizadores da entidade.

No evento desta quarta-feira, eles dividiram a mesa com mais fundadores e apoiadores. Além de Costin, outros colunistas da Folha integram a iniciativa: o cientista político André Singer e os professores Oscar Vilhena Vieira e Vladimir Safatle.

Ex-presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Margarida Genevois será a presidente de honra do colegiado.

Na prática, a entidade diz querer dar visibilidade a denúncias de violações e trabalhar para que casos sejam investigados e punidos pelas autoridades. Será um trabalho em rede com outras entidades da sociedade civil e com órgãos públicos.
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Na Folha

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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