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Reinaldo Azevedo

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Gênios do poder já compraram briga com 68,7% do nosso superávit comercial

Reinaldo Azevedo

01/04/2019 09h01

Por óbvio, não são os compradores e vendedores da Autoridade Palestina que dizem respeito ao caixa brasileiro, mas os dos países árabes — ou, mais amplamente, muçulmanos, já que há outro comprador importante do Brasil nesse grupo: o Irã. O Brasil teve um saldo comercial no ano passado com os iranianos de US$ 2,228 bilhões. Vendeu US$ 2.267,93 e comprou US$ 39,92 milhões. Em janeiro e fevereiro, o saldo positivo já é de US$ 251,85 milhões.

Ora, ora, é claro que não podemos pautar nossa política externa unicamente por questões comerciais.

Mas algo de muito errado se passa com uma tropa que arruma, a um só tempo, confusão com os árabes, com os iranianos e com os chineses sem olhar para contas. Lembre-se do jantar grotesco na embaixada brasileira em Washington. Nesse último caso, dizer o quê? O Brasil vendeu para o "Perigo Amarelo" US$ 64,205 bilhões, comprou US$ 34,730 bilhões, com superávit de US$ 29,475 bilhões. O superávit total do país foi de US$ 58,298 bilhões — a China, pois, representou mais da metade. Nos dois primeiros meses, a conta em nosso favor está em US$ 617,66 milhões. Quem tomou na cabeça em estupendos US$ 323 bilhões com os chineses foram os americanos.

A China é um problema para Trump e seus bravos, não para nós! "Ah, mas os chineses querem comprar o Brasil, não do Brasil". Bem, no caso dos EUA, então, poder-se-ia dizer que eles querem, além de "vender para a América", "comprar a América", já que são os maiores investidores estrangeiros naquele país.

Delírios paranoicos de gurus de Internet.

Então assim: em números de 2018, os gênios da raça que estão no comando do Brasil estão procurando sarna para se coçar com, arredondo, US$ 29,5 bilhões de superávit com os chineses, US$ 8 bilhões com os árabes e US$ 2,2 bilhões com os iranianos. Na soma, US$ 39,7 bilhões — ou 68,7% do superávit total.

Mas "O Deus de Trump", como diz o inefável Ernesto Araújo, dará conta de tudo.

O que importa é a gente cuidar do Ocidente como pátria espiritual. Nem que, para tanto, seja preciso estrangular também as conquistas democráticas.

Vade retro!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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