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Reinaldo Azevedo

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LULA FALA 4: Ódio a petista virou profissão remunerada e exercício de poder

Reinaldo Azevedo

2026-04-20T19:06:21

26/04/2019 06h21

Flores de Lima, o superintendente da PF no Paraná, parece bastante adequado à metafísica destes dias, em que se apela, muitas vezes, ao social ou à liberdade de imprensa para, de fato, praticar truculência. O ex-presidente Lula já teve um direito seu violado quando foi impedido de ir a velório de Genival Inácio da Silva, seu irmão, conhecido por Vavá. No despacho em que veda a ida de Lula ao velório, o superintendente afirma que os helicópteros da PF estavam todos em Brumadinho, para socorrer as vítimas do rompimento da barragem. Mais: contra qualquer evidência, alegou que a ida de Lula ao velório implicava, entre outros riscos, o de "fuga ou resgate". Que coisa! Então ficamos assim: num dia, pode-se atropelar um direito em nome das vítimas de uma tragédia; no outro, joga-se no lixo uma decisão judicial alegando a defesa da liberdade de imprensa. Nós, os jornalistas, nunca estivemos tão cercados, às vezes literalmente, de pessoas que não hesitam um segundo em desrespeitar a lei em nome do livre exercício da nossa profissão. Hipócritas! Ouvido a respeito, Sérgio Moro, como virou hábito desde que se tornou ministro, preferiu o papel do omisso. Disse que nada tinha a dizer porque Lula fazia parte do seu passado. Fingiu esquecer que Flores de Lima é o amigo que só está na Superintendência da PF no Paraná por decisão sua, pessoal. O lava-jatismo, como sabemos, costuma conceder aquelas entrevistas coletivas escandalosamente ilegais, em que procuradores e delegados submetem pessoas que nem rés ainda são a um verdadeiro linchamento. Nesta quinta, o amigão de Moro pretendeu inaugurar uma prática nova: a entrevista não como exercício de um direito, mas como uma punição. Ricardo Lewandowski, a tempo, impediu a aberração. Ocorre que estou entre aqueles que veem método nisso tudo: o que se busca, uma vez mais, é desgastar o Supremo diante das milícias virtuais que fizeram do ódio a Lula uma profissão, um meio de ganhar dinheiro e um modo de exercer o poder.

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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