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Reinaldo Azevedo

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O texto: “Mito” tenta tirar foco de Flávio e inflar ato golpista do dia 26

Reinaldo Azevedo

2018-05-20T19:08:45

18/05/2019 08h45

A idiotia golpista está por aí faz tempo. A pregação estava presente nos atos pró-impeachment, mas era minoritária

Mas o que deu na cabeça de Bolsonaro para jogar no ventilador o seu manifesto golpista?

O nome disso é pânico.

A família está com medo da investigação em curso do Ministério Público do Rio.

Resta lançar uma teoria conspiratória para tentar vitaminar o "protesto a favor" marcado para o próximo dia 26. Grupos de extrema-direita pretendem ir às ruas em defesa do governo e de Bolsonaro.

Será, claro!, também um "protesto contra": contra o Congresso, contra o Supremo, contra a imprensa… Contra, em suma, a democracia.

Grupos como o MBL e o Vem Pra Rua já anunciaram que não vão participar. Ambos apoiaram Bolsonaro no segundo turno.

Então quem vai?

Sabe-se lá. Chegaram-me algumas siglas e nomes (de youtubers) que eu não teria como distinguir de um pé de bugalho.

No entorno bolsonarista, há quem acredite que dá para ombrear com os protestos em defesa da educação, que levaram muitos milhares às ruas no dia 15. Com peculiar inteligência, Bolsonaro chamou os manifestantes de "idiotas úteis", "massa de manobra" e "imbecis".

Sim, caso se encostasse a cabeça ao peito dos manifestantes, como diria Ivan Lessa, ouvir-se-ia bater, no mais das vezes, um coração à esquerda e de esquerda… Mas não só. Os atos país afora reuniram as mais diversas colorações ideológicas.

A propósito: quando os liberais terão a coragem de protestar contra as agressões de Bolsonaro a valores elementares da democracia? Sim, protesto de rua também! Mas fica para outra hora.

O fato é que três grupos identificados com a direta, que tiveram um papel relevante nas manifestações em favor do impeachment de Dilma, estão fora da pregação golpista do dia 26. Como eu sei que será pregação golpista? Porque já é. Nas redes sociais, o que se pede de mais modesto é o fechamento do Congresso e do Supremo. Logo alguém se lembra de cobrar a suspensão da investigação das lambanças havidas no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Tudo indica que será um tiro no pé. A ambição é botar mais gente na rua do que "as esquerdas" o fizeram, o que já traduz uma leitura errada dos eventos do último dia 15. Não vai acontecer. A manifestação, se menor, será uma derrota, mesmo que expressiva.

Ademais, o bolsonarismo de raiz deveria ter receio de ver a si mesmo em marcha. Já antevejo as imagens que ficarão para a história, as faixas, os cartazes… Essa gente — bolsonaristas e olavetes — já deu trabalho aos defensores do impeachment que tinham miolos. Iam para as ruas pregar golpe de estado. Estão de volta às origens, ignorando que aquele a quem chamam "mito" está no poder. E, como não lembrar? Até os generais são tratados como inimigos e filocomunistas.

A pregação golpista de agora só terá o condão de ampliar o espaço para a recuperação moral e política da esquerda.

Quem tem Bolsonaro, Carlucho, Ernesto Araújo, Abraham Weintraub, Ricardo Salles, entre outros, não precisa de adversários e inimigos. Já está cercado deles.

CORREÇÃO: o grupo Nas Ruas, ao contrário do que eu havia escrito aqui, apoia a convocação do dia 26. A deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL)-SP) é um das principais expressões da turma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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