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Reinaldo Azevedo

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Bolsonaro ganhou ou perdeu? Responda: com o apoio visto, venceria eleição?

Reinaldo Azevedo

2026-05-20T19:17:05

26/05/2019 17h05

Manifestantes em defesa de Jair Bolsonaro em Brasília: STF e Congresso foram alvos de ataques (Pedro Ladeira/Folhapress)

Os protestos a favor do governo, coisa típica ou de ditaduras ou de governo que estão caindo — e não vivemos nem uma coisa nem outra —, foram pífios?
Resposta: não!

Conseguiram ombrear com os havidos no dia 15, em defesa da educação, com um acento à esquerda?
Resposta: não!

O presidente Jair Bolsonaro, com o resultado de hoje, está em situação desesperadora, perdido em seu labirinto?
Resposta: não!

As ruas lhe deram espaço para arrancar do Congresso o que bem entender, ou então virá o que os idiotas chamam "uma revolução"?
Resposta: não!

Acontece que todas essas perguntas são mais ou menos irrelevantes para o que se tem e para o que virá. E agora uma constatação inescapavelmente ruim para Bolsonaro, partindo de uma premissa óbvia: se os que foram hoje às ruas são a expressão do apoio que tem o presidente cinco meses depois da posse, então se pode falar sem medo de errar: com essa tropa, ele não ganharia a eleição se ela se realizasse hoje. Eis o dado nada irrelevante: isso significa que ele tem, sim, uma turma aguerrida, mas em número obviamente decrescente.

Querem outra evidência importante? Como os "bots", os robôs, não têm carne e osso, não têm presença física, contata-se que a expressão nas ruas do bolsonarismo é muito menor do que a presença nas redes sociais. Qualquer um que se transforme em alvo da difamação da "máquina" — cujos mecanismos de financiamento e estrutura, dentro e fora do país, ainda têm de ser investigados pela imprensa — sabe bem do que estou falando.

Bolsonaro e os bolsonaristas estão por aí a dizer que as ruas deram um recado importante e coisa e tal… Deram, sim! Se sobrar ainda ao presidente e sua turma um pouco de lucidez e apego à objetividade, a resposta é esta: "Nosso cacife é bem menor do que pensávamos. Mesmo o presidente tendo denunciado uma conspiração que o impediria de governar e, na prática, convocando uma manifestação a seu favor e contra o Congresso e o Supremo, perdemos feio para os críticos do governo. Não estamos sozinhos, mas não temos tropa para impor a nossa agenda — tão logo, claro!, a gente tenha uma agenda".

Bolsonaro prestou, assim, um grande favor a seus adversários: demonstrar que o diabo é bem menos feio do que se pinta. Reiterando tudo o que já se constatou sobre o arrenegado, o cramulhão, o zarapelho, a realidade está muito distante do mito.

Mais uma pergunta e uma resposta para saber se o presidente ganhou ou perdeu com as manifestações deste domingo: depois delas, há alguma razão para que Congresso e Supremo temam as ruas mais do que eventualmente temiam antes?

A resposta inequívoca é esta: não!

Então Bolsonaro perdeu.

Ainda que seus robôs insistam no contrário.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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