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Reinaldo Azevedo

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Irredimível, Moro tem de pedir demissão já que Bolsonaro não pode demiti-lo

Reinaldo Azevedo

2010-06-20T19:16:27

10/06/2019 16h27

Moro: é incrível! O doutor dá um jeito de meter o dedo em tudo… Tem de sair!

É evidente que Sérgio Moro, ministro da Justiça, tem de pedir demissão. De grande paladino do combate à corrupção, tornou-se hoje não um peso morto, mas um peso ativo, de fato, no governo Bolsonaro. Ele mais dificulta do que facilita o andamento da gestão.

Como é que se vai ter um superministro da Justiça depois do que se sabe — e do que se sabe até agora; vem mais coisa — de sua atuação como juiz? Quem vai confiar em Moro como interlocutor?

Na condição de titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, ele não atuou com a imparcialidade de um juiz. Ele se associou ao Ministério Público para aparelhar o processo político e responde, sim, em grande parte, pela razia que aí está e pela crise política que vivemos.

Bolsonaro lhe foi grato e reconheceu que, sem o então juiz, a história seria outra. Ocorre que o agora ex-magistrado foi, com a toga sobre os ombros, muito além do que a lei lhe permitia fazer também na condução da investigação.

Apontei as prisões preventivas arbitrárias.

Apontei a espetacularização da investigação.

Apontei a fragmentação da dita-cuja de modo a que coisa não acabasse nunca.

Apontei a destruição das empresas sob o pretexto de combater a corrupção.

Apontei a organização da Lava Jato como ente de razão disposto a constituir um Estado paralelo.

A verdade que vem à luz, no entanto, consegue ser ainda pior do que tudo o que se supunha.

Moro é irredimível.

Tem de pedir demissão, já que Bolsonaro não pode demiti-lo.

 

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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