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Reinaldo Azevedo

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Bolsonaro guarda distância de Moro, apesar de falas díspares de porta-vozes

Reinaldo Azevedo

2011-06-20T19:08:02

11/06/2019 08h02

Esta segunda foi marcada por um misto de estupefação e susto. E até por alguma surpresa. Há quem realmente tenha se surpreendido um tanto com as lambanças explícitas de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outros — embora essa explicitação se desse em ambientes privados. O que o site "The Intercept Brasil" fez foi trazer à luz as maquinações que estão na raiz de alguns sortilégios que vivemos ainda hoje.

O presidente Jair Bolsonaro, ele próprio, resolveu ser discreto, embora dois porta-vozes tenham se manifestado a respeito. O oficial, Rêgo Barros, afirmou o seguinte: "Em relação às notícias referentes ao vazamento de informações sobre a Operação Lava Jato, o presidente da República não se pronunciará a respeito do conteúdo de mensagens e aguardará o retorno do ministro Moro para conversar pessoalmente, em princípio, amanhã". Já Fábio Wajgarten, secretário de Comunicação, fez circular as seguintes aspas como sendo de Bolsonaro: "Nós confiamos irrestritamente no ministro Moro".

Há uma diferença nada ligeira entre "O presidente não se pronunciará e aguardará o retorno do ministro para conversar pessoalmente" e "nós confiamos irrestritamente".

Bolsonaro e Moro se reúnem nesta terça e é certo que o presidente manifestará publicamente apoio a seu ministro da Justiça. Se eu fosse do tipo que dá conselhos, sugeriria que o chefe do Executivo não se aproximasse demais do cais para, se preciso, fazer uma manobra e se distanciar do problema. Parece que a casa de marimbondos, de que se conhecem apenas alguns, é bem maior.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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