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Reinaldo Azevedo

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Randolfe vira a voz da dupla Moro-Deltan, sem coragem para peitar o “Mito”

Reinaldo Azevedo

22/07/2019 16h00

Randolfe Rodrigues: conviria que senador da Rede parasse de se comportar como porta-voz da Lava Jato. Enquanto é tempo

A Rede, que hoje se resume politicamente ao senador Randolfe Rodrigues (AP), recorreu ao Supremo contra a decisão de Dias Toffoli, presidente do tribunal, que suspendeu inquéritos criminais nascidos, na prática, da quebra de sigilos — praticados por Coaf e Receita — sem autorização da Justiça.

Existe uma questão de mérito sobre o assunto a ser examinada pelo tribunal, cuja votação está prevista para novembro. É possível que seja antecipada.

A Rede argumenta que a decisão de Toffoli contraria jurisprudência do próprio STF. O argumento é falso. O tribunal autorizou o compartilhamento de dados de órgãos administrativos de controle para que MP e PF recebam os devidos alertas de eventuais irregularidades. Mas, em nenhum momento, autorizou a quebra de sigilos sem determinação da Justiça.

Até porque a prática agrediria uma garantia prevista no Artigo 5º da Constituição, que é cláusula pétrea.

Randolfe está apenas cedendo ao chororô da Lava Jato, que resolveu terceirizar a demanda. Notem que Deltan Dallagnol, desta vez, ficou calado para não comprar briga com o governo Bolsonaro. Da mesma sorte, Sergio Moro, o ministro da Justiça, decidiu silenciar.

E por quê?

Porque, com efeito, a decisão de Toffoli é do agrado imediato do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Mas o seu alcance é, de fato, muito mais amplo. É justamente na quebra informal de sigilo e na articulação de vazamentos selecionados que reside uma das forças da Lava Jato.

Randolfe, mais uma vez, abraça-se ao equívoco da depredação do estado de direito sob o pretexto de combater a corrupção.

Eu diria que ele não entendeu nada. Alia-se a Deltan e a Moro, que não têm coragem para enfrentar Bolsonaro, fazendo-se a voz da dupla no caso, e acaba abraçando a tese ruim.

Até porque, convenham: Flávio Bolsonaro pode e deve ser investigado segundo o que estabelece as regras do jogo. E o mesmo deve valer para todos os brasileiros.

PS: Onde anda Marina Silva?

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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