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Reinaldo Azevedo

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Professora incensada por Barroso e Deltan acusa ilegalidades da Lava Jato

Reinaldo Azevedo

12/08/2019 06h59

Susan Rose-Ackerman: especialista já exaltada por Barroso e Deltan assina artigo demolidor sobre desmandos de Sergio Moro

Roberto Barroso, a voz mais estridente do punitivismo no Supremo e de soluções, vamos dizer, heterodoxas em nome do combate à corrupção, deve estar numa espécie de crise intelectual… Também Deltan Dallagnol, o justiceiro da Lava Jato e dublê de Menino Prodígio, pode se chatear um pouco. Um grupo de 17 juristas de renome internacional assina um duro artigo dirigido ao Supremo Tribunal Federal, como informou a Folha, em que se lê, com todas as letras:

"Sérgio Moro não só conduziu o processo de forma parcial, como comandou a acusação desde o início. Manipulou os mecanismos da delação premiada, orientou o trabalho do Ministério Público, exigiu a substituição de uma procuradora com a qual não estava satisfeito e dirigiu a estratégia de comunicação da acusação.
Além disso, colocou sob escuta telefônica os advogados de Lula e decidiu não cumprir a decisão de um desembargador que ordenou a liberação de Lula, violando assim a lei de forma grosseira.
Hoje, está claro que Lula não teve direito a um julgamento imparcial. Ressalte-se que, segundo o próprio Sérgio Moro, ele foi condenado por "fatos indeterminados"
.

Os signatários fazem referência explícita às revelações publicadas pelo site "The Intercept Brasil" e veículos a ele associados no esforço de revelar os bastidores da Lava Jato.

E por que a dupla está moralmente obrigada a se manifestar?

Entre os signatários do artigo está Susan Rose-Ackerman, professora emérita da Universidade Yale. Ela é uma conhecida de vocês.

Susan era uma das convidadas do "coquetel/jantar" oferecido por Barroso, no dia 9 de agosto de 2016, a Sergio Moro e a Deltan Dallagnol. A professora era uma das participantes de um colóquio sobre direito promovido pelo ministro. Este blog noticiou com exclusividade o evento, que deveria ser mantido longe da imprensa, segundo recomendações do próprio Barroso.

Quando a notícia veio a púbico, o ministro houve por bem se manifestar em seu blog. Ele tem um!!! Afirmou:
"Em 9 de agosto de 2016, a Professora Susan Ackerman esteve no Brasil, a convite de uma instituição acadêmica de São Paulo, para ministrar um seminário, em conjunto com outros expositores. Susan é esposa de Bruce Ackerman, que foi meu professor em Yale e é meu amigo há 30 anos. Convidei-a a dar o mesmo seminário em Brasília, intitulado 'Democracia, corrupção e justiça: diálogos para um país melhor'. Na véspera do evento, fiz um coquetel em minha casa em torno dela, para o qual foram convidados todos os participantes do seminário e alguns professores, num total de cerca de 25 pessoas"

Pois é… Ocorre que Bruce Ackerman, o marido de Susan, ex-professor de Barroso, seu "amigo há 30 anos", também assina o texto.

E agora?

Em 2016, no Twitter, Deltan tira uma foto ao lado de Susan e escreve: "Esta semana tive o prazer de conhecer Susan Rose-Ackerman, p/mim, a maior especialista do mundo sobre corrupção".

Pois é… Aquela que Dallagnol considera "a maior especialista do mundo sobre corrupção" está a fazer picadinho do trabalho da Lava Jato, apontando suas óbvias ilegalidades.

Será que, de súbito, Barroso e Dallagnol dirão que Susan está entre os, como é mesmo, ministro?, interessados em manter intocadas as práticas corruptas?

Assina também o texto Luigi Ferrajoli, professor emérito de direito da Universidade Roma Três. É considerado hoje o mais importante jurista do mundo em matéria de "garantismo" no direito penal.

Barroso tem a chance de deixar claro a seu professor e amigo se realmente aprendeu alguma coisa, não é mesmo?
Leia íntegra do artigo aqui

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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