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Reinaldo Azevedo

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Pergunta: Receita, PF e MP já sentem saudades de FHC, Lula, Dilma e Temer?

Reinaldo Azevedo

20/08/2019 07h13

Ai, ai, ai…

A entropia ameaça o moro-bolsonarismo. Conforme o esperado, não tardou para que o bolsonarismo e o morismo começassem a bater cabeça.

Como é sabido, a Lava Jato resolveu estender seus tentáculos à Receita Federal e encontrou por lá terreno fértil. Um órgão de Estado havia sido parcialmente capturado pela força-tarefa, muito especialmente pela turma de Curitiba. E, por óbvio, era preciso pôr fim à farra.

Jair Bolsonaro, o presidente, não perdeu tempo. Viu a oportunidade de alterar a composição do órgão de cabo a rabo. O subsecretário-geral, João Paulo Ramos Fachada, já foi defenestrado por Marcos Cintra, secretário especial da Receita. Será substituído por José de Assis Ferraz Neto, lotado na área de fiscalização da delegacia da Receita em Recife (PE).

Conta que Iágaro Martins, subsecretário de Fiscalização, está na marca do pênalti. Informa a Folha: "Ele é visto como um integrante do órgão ligado ao Ministério Público e vem sendo criticado nos bastidores do governo principalmente após investigações envolvendo a família de Bolsonaro e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal)."

A coisa começa a seguir um percurso curioso. O presidente da República, acreditem, está se metendo até na escolha da titular da delegacia da Receita da Barra da Tijuca, onde está Adriana Trilles. Sabe-se lá por quê, ela irritou o imperador, que agora quer sua cabeça.

Também resolveu trocar o delegado da alfândega do Porto de Itaguaí, José Alex Nóbrega de Oliveira, por Gilson Rodrigues de Souza, sem experiência nenhuma na área. O superintendente da Receita no Rio de Janeiro, Mario Dehon, teria resistido à troca e agora deve perder o cargo. Cintra estuda levá-lo para trabalhar em Brasília.

Ao antecipar a saída de Ricardo Saadi, superintendente da Polícia Federal no Rio, tentando impor o nome do substituto, Bolsonaro disparou um "quem manda sou eu". E indagou retoricamente se era um "presidente banana".

Pois é…

Ele resolveu demonstrar que seu jeito de "não ser banana" é destituir até a titular da Delegacia da Receita da Barra da Tijuca. Vai saber como chegaram a seus ouvidos o descontentamento com o trabalho da moça.

Não deixa de ser divertido ver essa gente toda com, como posso dizer?, saudade da autonomia que FHC, Lula, Dilma e Temer lhes deram, não é mesmo?

Era tanta autonomia que eles acharam uma boa ideia se juntar à Lava Jato para criar um Estado paralelo.

Estão percebendo que, com Bolsonaro, as garantias de um Estado democrático não vêm nem na garupa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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