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Reinaldo Azevedo

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A tentativa tola, açodada e malsucedida de expulsar Aécio Neves do PSDB

Reinaldo Azevedo

21/08/2019 22h09

João Doria: governador de SP foi derrotado na tentativa de expulsar Aécio Neves (Foto Eduardo Anizelli/Folhapress)

A Executiva do PSDB rejeitou por 30 votos a 4 o que nem deveria estar em votação: a expulsão sumária do deputado Aécio Neves (MG), ex-presidente da sigla e seu candidato a presidente em 2014. A medida era patrocinada pelo governador de São Paulo, João Doria. Havia duas representações contra o parlamentar mineiro: uma do diretório paulista e outra do paulistano. Foram votos vencidos o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP); o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando; o secretário de Saúde da capital paulista, Edson Aparecido, e o tesoureiro do PSDB, César Gontijo.

Aécio não foi ainda condenado pela Justiça, mas a parte do PSDB que queria a sua expulsão se antecipou para se comportar como tribunal de execução e de exceção. Vejam que coisa: o PT tem uma lista de investigados — e não dá para ignorar que a Lava Jato é o que é — e todos permanecem na legenda, sem justiçamentos internos. Sérgio Moro, o Senhor Absoluto da Lava Jato, como revelam os diálogos trazidos a público por "The Intercept Brasil", convive numa boa com Marcelo Álvaro Antônio, o enrolado ministro do Turismo de Bolsonaro. Também não se constrange de servir ao pai do senador Flávio Bolsonaro, o amigão do desaparecido Fabrício Queiroz.

Não! Não estou fazendo a apologia do vale-tudo. Quem sabe ler entendeu bem o que estou dizendo: ninguém oferece cabeças da sua própria tropa antes que os tribunais a peçam. Só uma ala do PSDB acha que esse é um bom caminho. E não é de hoje. Nem parece muito esperto, para dizer claramente, dividir-se antes mesmo de se apresentar para a luta. O PSDB, por acaso, tem a ilusão de que a Lava Jato ou suas sucedâneas vão parar por aí? Vão continuar a pedir cabeças. Entreguem a primeira cabeça agora, e virão outras tantas.

Vejam que coisa notável conseguiu o partido com a tentativa de expulsar Aécio: não pôs o deputado para fora, e não havia mesmo sentido em fazê-lo nas atuais circunstâncias, e ainda colheu um noticiário que positivo não é.

Sou capaz de jurar que não será o troféu de bom comportamento segundo os critérios da Lava Jato que vai capacitar alguém a enfrentar Jair Bolsonaro nas urnas. Isso na hipótese, claro, de que termine o mandato.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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