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Reinaldo Azevedo

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Liberdade de imprensa 1: Bolsonaro, Moro e Wajgarten contra a informação

Reinaldo Azevedo

07/10/2019 05h39

A revelação, feita pela Folha, do conteúdo de um inquérito conduzido pela Polícia Federal sobre caixa dois levou o ministro Sergio Moro, da Justiça, e Fabio Wajgarten, da Secretaria Especial de Comunicação Social, a ultrapassar o limite do aceitável. Ambos pertencem ao topo da cadeia alimentar do bolsonarismo. O próprio presidente da República evidenciou, mais uma vez, que desconhece a noção de limites. Ruim para a cultura política, sim! Pior para Jair Bolsonaro.

Aos fatos. O inquérito que investigou o uso de caixa dois pela campanha de Marcelo Álvaro Antonio (PSL), deputado federal mais votado de Minas, traz o depoimento de Haissander Souza de Paula, então assessor do agora ministro do Turismo e coordenador de sua campanha. Ele afirmou que "acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro".

Mais: como informa a Folha, "em uma planilha, nomeada como 'MarceloAlvaro.xlsx', há referência ao fornecimento de material eleitoral para a campanha de Bolsonaro com a expressão 'out', o que significa, na compreensão de investigadores, pagamento 'por fora'.

O ministro do Turismo e outros foram denunciados pelo Ministério Público de Minas por falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa, com penas previstas, respectivamente, de cinco, seis e três anos de cadeia. Álvaro Antônio nega irregularidades, e o presidente decidiu que ele permanece no cargo. Vamos ver como agirá o presidente caso o aliado venha a se tornar réu. Só para lembrar: há depoimentos de candidatas que admitem ter sido usadas como laranjas.

Willer Tomaz, advogado do ministro, afirma que Haissander foi preso de maneira irregular em junho. Ficou cinco dias na cadeia. Deu, então, o depoimento revelado pelo jornal. Tomaz afirma que ele foi pressionado pela PF a dizer o que disse. A defesa do ex-assessor tentou, de fato, anular o primeiro depoimento na audiência de custódia, mas a Justiça recusou o pedido porque não viu irregularidade na condução.

Vamos lá. Nem o ministro nem o presidente precisam gostar da notícia, certo? Ninguém lhes nega o direito de repudiar o conteúdo do inquérito, o que está estampado na Folha com a devida visibilidade. Da mesma sorte, aliados podem vir em socorro da dupla. Mas aí acontece o absurdo, o estupefaciente, o inaceitável. E, mais uma vez, com a ajuda de Sergio Moro.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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