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Reinaldo Azevedo

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LIBERDADE DE IMPRENSA 3: O bom jornalismo é perfumado. Como o bolsonarismo!

Reinaldo Azevedo

07/10/2019 05h37

Fábio Wajgarten, chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) da Presidência, foi, por sua vez, às redes sociais pregar que os anunciantes boicotem o jornal. Escreveu: "Parte da mídia ecoa fakenews, ecoa manchetes escandalosas, perdeu o respeito, a credibilidade (e a) a ética jornalística. Que os anunciantes que fazem a mídia técnica tenham consciência de analisar cada um dos veículos de comunicação para não se associarem a eles preservando suas marcas".

A Secom divide a verba oficial de propaganda entre os vários veículos. Bolsonaro já deixou claro que sua intenção é beneficiar aqueles cujo trabalho aprecia e punir os que não são de seu agrado. Notem que seu secretário, no entanto, vai além: há uma convocação para que anunciantes privados participem de sua ação punitiva.

O presidente endossou as palavras do seu secretário e avançou, afirmando que o jornal desceu "às profundezas do esgoto". Ou seja: é esgoto tudo aquilo que Bolsonaro não gosta de ler, ver ou ouvir. Segundo o presidente, seu ministro e seu secretário especial, dada a informação que tinha em mãos, a Folha deveria tê-la sonegado do público, guardando-a para si. Se assim procedesse, estaria fazendo jornalismo limpo e perfumado.

Como o bolsonarismo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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