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Caso Flávio fez sombra no mais relevante; investigação não correu riscos

Reinaldo Azevedo

29/11/2019 06h09

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz: relações perigosas da dupla voltarão a ser investigadas. Voltariam ainda que triunfasse o voto de Toffoli

A investigação sobre as lambanças no gabinete do senador Flávio Bolsonaro pode ser retomada. E, na verdade, não estava ameaçada nem que triunfasse o voto inicial de Dias Toffoli. É possível que o troço tome uma proporção gigantesca caso venha a se provar que o esquema de rachadinha, comandado por Fabrício Queiroz, era uma obra familiar. Mais: Queiroz é uma interface entre os Bolsonaros e as milícias. Ele admitiu ter empregado no gabinete de Flávio na Alerj a mãe e a mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe do "Escritório do Crime", que está foragido. Ao tal "escritório" pertencem Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, assassinos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

As coisas, no entanto, andam um tanto opacas no Ministério Público do Estado do Rio. O potencial para sortilégios futuros é grande se essa opacidade for vencida. No curto prazo, tudo o mais constante, o que se viu nesta quinta-feira foi se esvanecer mais uma garantia constitucional. A coisa não é fácil de entender.

O caso de Flávio Bolsonaro fez sombra sobre o que realmente se votava no Supremo. Vamos ver qual será a tal "tese" a ser aprovada pelos ministros. Se ficar tudo como está, o sigilo bancário e o fiscal poderão ser quebrados sem autorização da Justiça. Bastará um entendimento entre a Receita e os órgãos de investigação. Isso viola os Incisos X e XII do Artigo 5º da Constituição, que é cláusula pétrea. Mas assim votou a maioria do Supremo. O caso Flávio um dia passa. A violação da Constituição fica.

Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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