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A oposição, até agora, não criou nenhuma dificuldade a Bolsonaro; líder da minoria no Senado, Randolfe, é protobolsonarista!

Reinaldo Azevedo

19/02/2019 04h29

Randolfe Rodrigues (de óculos), da Rede (AP), de mãos entrelaçadas com o bolsonarista Davi Alcolumbre, novo presidente do Senado. Isso é que é líder de minoria colaborativo! É o protobolsonarismo que se faz de oposição

Por enquanto, inexiste oposição no Brasil. E o presidente Jair Bolsonaro nada tem a temer a não ser a si mesmo, aos filhos e a alguns aliados que ignoram os fundamentos da institucionalidade.

Há vários aspectos realmente estupefacientes na crise envolvendo o já ex-ministro Gustavo Bebianno. O governo completa hoje 50 dias. É muito cedo para uma bagunça com esse potencial de desarranjo. O fato de Bolsonaro ter demitido apenas o secretário-geral da Presidência e mantido o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, leva a duas conclusoes inescapáveis: 1) o presidente não dá a mínima para o laranjal — e a questão, obviamente, é grave; 2) o que derrubou Bebianno foi outra coisa, ainda que seja apenas um pedido feito por Carlos Bolsonaro, como aquelas crianças birrentas que armam salseiro numa loja quando invocam com algum objeto e o querem levar pra casa. E, por óbvio, é pouco provável que seja só isso. Mas então o quê?

Como todos sabemos, ainda não houve tempo de a oposição se manifestar ou se organizar para enfrentar o governo. Faltam-lhe foco, objetividade, princípios, fundamentos, estratégia, tudo… Não criaram, até agora, nenhuma dificuldade para o presidente nem mesmo souberam contestar a sua pauta. A reação dos partidos ou lideranças que, em tese, deveriam enfrentar o governo ao pacote contra a corrupção e a violência apresentado por Sérgio Moro foi pífia. As esquerdas não-petistas, com destaque para o PDT, tentam buscar seu próprio protagonismo. Os petistas, por sua vez, se perdem no samba de duas notas só: contestar a condenação de Lula e defender a legitimidade do tirano Nicolás Maduro — nota: não tardará, e o troglodita ainda fará Donald Trump parecer um agente civilizador.

Chamo atenção, assim, para o fato de que o governo Bolsonaro poderia, por enquanto, estar navegando em céu de brigadeiro, a despeito das tragédias que campeiam por aí. O antibolsonarismo não foi capaz nem mesmo de botar a boca no trombone com a devida contundência diante do óbvio massacre protagonizado pela Polícia do Rio no Morro do Fallet. Ainda está perdida. Não se recuperou do baque que sofreu na eleição de 2018. Aguarda que o presidente entregue a sua proposta de reforma da Previdência ao Congresso para ver se consegue articular alguma voz. E, nesse caso, terá de tomar um cuidado danado para não aparecer no noticiário a defender privilégios inaceitáveis. Se continuar no ramerrão de hábito nessa matéria, ainda fará Bolsonaro se parecer com um redistribuidor de renda.

Mais um pouco de mel na sopa para Bolsonaro? Pois não. O líder da minoria no Senado é Randolfe Rodrigues, que integra o bloco formado por PSB, PDT, PPS e Rede. Foi um grande entusiasta da eleição do bolsonarista convicto Davi Alcolumbre para a presidência da Casa e é entusiasta da CPI do Judiciário, com a qual o governo adoraria constranger o Supremo. O proponente de uma CPI dos tribunais superiores, diga-se, é um deputado do PPS.

Aquela turma momesca que foi eleita para a Câmara e para o Senado à esteira da ascensão de Bolsonaro não está tendo trabalho nenhum com seus adversários. É bem verdade que ainda não deu tempo. A nova legislatura está aí há apenas 19 dias. Hoje, o único inimigo relevante que Bolsonaro enfrenta no governo é o próprio Bolsonaro, devidamente escoltado pelos filhos. Carlos e Eduardo são especialistas em gerar notícias negativas no campo propriamente político — no caso vereador do Rio, mais do que isso. E Flávio, o senador, tem seu destino atrelado ao rigor com que Ministério Público do Rio e Polícia Federal fizerem o seu trabalho. É uma gente que não precisa de inimigos.
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Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM.

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.


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