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Reinaldo Azevedo

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LULA FALA 3: Lewandowski atuou para impedir agressão à Carta e ao STF

Reinaldo Azevedo

2026-04-20T19:06:31

26/04/2019 06h31

Ministro Lewandowski: atuação impecável ao autorizar a entrevista e ao impedir que um delegado se arvorasse em Supremo do Supremo

O despacho é uma soma de aberrações. Coube ao ministro Ricardo Lewandowski lembrar, com correção, que "a decisão da Corte restringia-se exclusivamente aos profissionais de imprensa supramencionados" — no caso, os jornalistas Mônica Bergamo e Florestan Fernandes. O ministro observou que "a liberdade de imprensa, apesar de ampla, deve ser conjugada com o direito fundamental de expressão". E escreveu o que deveria ser óbvio: "Não se pode impor [a Lula] a presença de outros jornalistas (…) sem a expressa autorização do custodiado e em franca extrapolação dos limites da autorização judicial em questão".

É um acinte. É um deboche. Quem deu ao doutor Flores de Lima a competência para descumprir uma determinação judicial? Ou a extrapolação que ele anunciou não era uma forma de mandar o Supremo às favas? Não cabe a um superintendente regional da PF arbitrar, acima do Supremo, sobre o que é e o que não é o exercício de "direitos constitucionais". Mais: apelando ao que considero cinismo constrangedor, resolveu, também ele, colocar-se como paladino do "livre exercício da profissão" — refere-se, no caso, aos jornalistas. É claro que ninguém de boa-fé caiu na conversa. A propósito: quais os nomes dos autores dos pedidos de participação? Quem se apresentou para ser pirata de entrevistas pedidas por outros colegas? O despacho do delegado, que rasgava a decisão do ministro Lewandowski, atendia aos interesses de quem?
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Sobre o autor

Reinaldo Azevedo, jornalista, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. É autor de "Contra o Consenso", "O País dos Petralhas I e II", "Máximas de um País Mínimo" e "Objeções de um Rotweiler Amoroso".

Sobre o blog

O "Blog do Reinaldo Azevedo" trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

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